Nossa História

Via Zen: o início

O Via Zen foi fundado em 1996, porém suas primeiras sementes foram plantadas no final da década de 1970, com um grupo de praticantes que se reunia em Porto Alegre para fazer zazen e estudar o Darma de Buda. Em julho de 1994, o grupo recebeu a visita de Moriyama Roshi, que retornaria outras vezes para orientar a Sanga gaúcha. Encorajados pelo Roshi, os praticantes inauguraram a Associação Via Zen em 14 de janeiro de 1996.

Ao longo dos anos seguintes, Moriyama Roshi, apesar de residir no Japão, continuou vindo orientar a prática e conduzir retiros no Via Zen. Em fevereiro de 1998, seu discípulo leigo Luis Afonso Konchin doou cinco hectares de terra na área rural de Viamão para que o Roshi pudesse fundar um mosteiro internacional.

Em fevereiro de 2000, Moriyama Roshi, junto com sua discípula Monja Angelika Zuiten, fixou residência no Via Zen, em Porto Alegre. Nesse mesmo ano ele oficiou uma cerimônia de benção da terra em Viamão, que veio a se chamar Montanha Grande Buda, dando início ao projeto de construir um centro de prática naquele local.

 

Em 2002, o Via Zen recebeu a visita de Togari Roshi, irmão do Darma de Moryama Roshi, que fez doação de duas casas pré-fabricadas que até hoje servem de base para os moradores e visitantes do nosso Centro de Prática na Montanha Grande Buda.

Em novembro de 2004, Monja Zuiten, devido a uma doença grave, retornou a seu país, a Alemanha, vindo a falecer dois anos depois. Ela é lembrada com carinho pelos anos que passou conosco e por sua grande dedicação ao Zen. Em março de 2005, Moriyama Roshi foi chamado de volta ao Japão para cuidar de seu mestre, limitando então sua participação na Sanga a visitas pontuais.  

 

Antes de viajar, o mestre japonês pediu a Coen Roshi, abadessa do Templo Tenzuizenji (Zendo Brasil) em São Paulo, que apoiasse a Sanga do Via Zen nesse período sem orientador, monge ou monja residente. Durante os anos seguintes, por meio de frequentes visitas e participação em diversos eventos, Coen Roshi estimulou praticantes a receber os preceitos, preparando alguns deles para ordenação monástica. Assim, os primeiros monges e monjas foram ordenados na Sanga: Monge Dengaku (2007), Monge Kohô (2008), Monja Kokai e Monja Shoden (2009). Desde então, Coen Roshi realizou a transmissão do Darma de Buda para dois senseis leigos do Via Zen e sempre teve entre os membros da Sanga vários alunos e alunas sob sua orientação.

Montanha Grande Buda: renovação

 

Com o retorno de Moriyama Roshi ao Japão em 2005, o projeto do centro de prática na zona rural de Viamão desacelerou, para garantir apenas a manutenção da infraestrutura e pequenas melhorias. Sem caseiro no local e com a ocorrência de alguns arrombamentos, houve tantas dificuldades que a Sanga considerou até mesmo entregar as terras ao doador em 2008.

Foi então que o escultor Gustavo Nakle Denshin propôs construir um Buda de 9 metros de altura, como símbolo de renovação da força da Sanga. Seria uma forma de reunir todos em torno de um propósito comum, dando vida ao que ele chamou de Buda-Sanga – construir um Buda e fortalecer a Sanga. Proposta visionária ou não, ela deu certo. O centro de prática ganhou vida nova na Montanha Grande Buda. Em torno da escultura surgiram pessoas dispostas a ajudar e doadores que criaram condições para que, em junho de 2010, se reiniciassem as obras do centro de prática. Leia mais informações sobre a escultura de Buda de 9 metros de altura aqui.

 

Até agora, foram concluídos uma série de prédios: o Tōsu (prédio dos sanitários), o Zendō (prédio de Zazen) e a cozinha. Os próximos serão o refeitório, o Butsudō (Sala de Buda) e o Yokushitsu (sala de banho).

 

Durante o período de renovação, o casal de monges Dengaku e Shoden foi incansável. Eles organizaram retiros, cursos de permacultura e outras atividades, dando vida à Montanha Grande Buda – nome que veio a ser oficialmente adotado em 2020 para denominar todo o complexo de Viamão. Em 2015, em ação coletiva, a Associação Via Zen adquiriu 35 hectares lindeiros com a intenção de fundar uma comunidade de associados, inclusive de residentes, comprometidos com os princípios da prática zen, da vida comunitária e da agricultura sustentável.

 

Em 2019, enquanto grupos de trabalho, formados por futuros moradores e apoiadores do projeto, estudavam as experiências mais bem sucedidas de ecovilas mundo afora, uma prticante construiu a primeira casa na área residencial da Montanha Grande Buda.

 

Ao longo de 2020, apesar do distanciamento social exigido pela pandemia, uma diretoria extremamente ativa planejou a infraestrutura física, social, administrativa e espiritual da futura comunidade. No final daquele ano, sob a supervisão cuidadosa de uma praticante e com a ajuda valiosa de nosso caseiro, já surgiam os frutos do trabalho agroflorestal. Alimentos orgânicos agora beneficiam não só praticantes da Associação, mas também pessoas que passam dificuldade em comunidades vizinhas e recebem nossos produtos em doação.