O que é o Zen?

O Zen é a prática de realização da natureza de Buda. Isso significa dizer que é uma atitude de vida que perpassa todas nossas ações. No Zen desenvolvemos atenção plena mediante uma disciplina de corpo e mente, experienciada de forma simples e direta no aqui-agora. Cabe referir que o zen budismo é uma tradição religiosa com princípios filosóficos próprios e que, como muitas outras tradições, possui diversas cerimônias e liturgias.

Em nossa escola Soto Shu, a prática é desenvolvida mediante cinco treinamentos: zazen (meditação sentada), kinhin (meditação andando), cerimonial, samu (trabalho) e vida cotidiana. Durante um sesshin (retiro Zen), temos a oportunidade de vivenciar todos eles em um único dia, dia após dia. Seja no silencioso sentar-se em zazen ou buscando caminhar no ritmo do grupo, recitando sutras, fazendo as refeições juntos ou dividindo as tarefas comunitárias, todas essas ações se convertem numa oportunidade de compreender nossos apegos e aversões e de nos preparar em Sanga (comunidade budista) para interagir no cotidiano de forma a sermos a Paz que queremos para o mundo.

Zazen


Literalmente, zazen significa "sentar zen”. Sentar em silêncio, de frente para a parede. O foco é a respiração e o livre fluir dos pensamentos, sem fixar em nenhum deles, o que proporciona ao praticante uma diminuição da agitação mental. Livres de qualquer expectativa passamos a observar o que ocorre dentro e fora de nós. "Ruídos" internos ou externos -- tudo está incluído.  Pouco a pouco o observador amplia sua percepção para além de si mesmo e, retornando à consciência da respiração, percebe que ela é o fio que nos conduz na vida e no zazen. Apenas sentar, apenas respirar.

O zazen nos permite penetrar a natureza do que somos e realizar a verdade última.

 

Para mais instruções sobre zazen sugerimos o vídeo abaixo, produzido por nossa Escola, Soto Shu, no Japão:

Kinhin (meditação andando)


É uma caminhada lenta em que se procura manter o mesmo estado mental do zazen. Atentos ao ritmo do grupo sem perder de vista nosso próprio ritmo, apenas caminhamos lentamente. Em práticas intensivas e retiros são feitos muito períodos de zazen intercalados por períodos de kinhin, que duram de 5 a 10 minutos. Essa alternância de práticas ajuda a relaxar o corpo e retornar a circulação sanguínea e energética, além de nos mostrar que é possível manter o estado mental do zazen em nossas atividades diárias, ao atender o telefone, ao lavar a louça, em tudo que estivermos realizando.

Cerimonial e Liturgias

 

Cerimônias destinadas a atender à comunidade: 

  • Casamentos

  • Bênção de bebês

  • Cerimônias fúnebres

 

Não é necessário ser budista para solicitar que monges façam esse tipo de cerimônia. Sempre que possível realizamos esse tipo de cerimônia. Para mais informações entrar em contato no: viazenrs@gmail.com

Cerimônias e liturgias no cotidiano do mosteiro

 

Além de ser uma das práticas diárias que desenvolvem atenção plena e disciplinam corpo e mente, o cerimonial realizado no cotidiano dos mosteiros tem a função de lembrar, honrar e agradecer a todos aqueles que dedicaram suas vidas para a transmissão dos ensinamentos de Buda. Citamos abaixo algumas cerimônias realizadas mais frequentemente no cotidiano dos Mosteiros Zen Soto:

 

  • Tchoka: cerimônia da manhã. É dedicada ao Mestre Original Shakyamuni Buddha, aos Três Tesouros, à Linhagem, ao Fundador do Templo, à Orientadora espiritual do Templo e aos antepassados.

 

  • Jundô: após a Tchoka costuma-se recitar sutras e versos aos diversos altares existentes nos mosteiros, onde ficam imagens de Bodisatvas, Mahasatvas e protetores. Altar de Kannon Bodisatva (onde se reza a doentes e falecidos), Jizo Bosatsu (Bodisatva protetor da Terra, das crianças e viajantes), Altar de Daikoku (protetor das plantações e da colheita), Altar de Ida Son Ten (protetor da cozinha), altar de Ususamamyo (protetor dos banheiros), são alguns dos altares que rezamos pela manhã.

  • Nitchu Fugin: cerimônia do meio-dia. É dedicada ao Grande Venerável Mestre Fundador Xaquiamun Buda, à Grande Mestra Primeira Monja Histórica Mahapraja Pati Daioshö, ao Grande Mestre Ancestral Superior Jöyö Eihei Dögen Daioshö, ao Grande Mestre Ancestral Maior Jösai Keizan Jokin Daioshö, aos Três Tesouros nas dez direções e a todos os falecidos nos três mundos.

  • Banka Fugin: cerimônia da tarde. É dedicada a todos os espíritos famintos. Com esta cerimônia se aspira que haja prosperidade e um compartilhamento que acabe com a fome e a miséria no mundo e que possamos também perceber e saciar o espírito faminto e ganancioso que há em cada um de nós.

  • Cerimônia de Orioki: na escola Soto Zen as refeições são feitas de maneira formal usando-se Oriokis (tigelas em japonês – daí o nome da prática). A refeição é precedida pela leitura de versos que nos remetem a uma atitude de gratidão por todas as interconexões que foram necessárias para que a refeição chegasse até nós. O preparo das refeições no Zen Soto é considerada uma das práticas mais importantes dentro do mosteiro. O responsável pela cozinha nos Templos é o Tenzo ou cozinheiro Zen.

 

Há ainda diversas cerimônias que não citaremos aqui, por não serem cotidianas. Mas a título de exemplo e por sua beleza e significado, destacamos a Cerimônia de Arrependimento, Ryaku Fusatsu. Esta cerimônia é realizada na lua cheia. Longa e repleta de detalhes e significados, citamos aqui seu verso principal:​

 

Todo carma prejudicial alguma vez cometido por mim

Devido a minha ganância, raiva e ignorância

Nascido de meu corpo, boca e mente

Agora de tudo eu me arrependo.


Samu (trabalho comunitário)

 

É o trabalho realizado em um templo ou comunidade Zen, como parte do treinamento de integrar o sagrado às necessidades da vida diária. É o Zen em ação. Procura-se manter a mente do zazen na execução de tarefas, sempre com a perspectiva de que dedicamos nossos esforços em benefício de toda a comunidade e de todos os seres. Sem pensar em benefício próprio é fundamental ter uma atitude de prontidão, sem escolher o que preferimos ou não fazer, simplesmente fazemos o que precisa ser feito.

Esta prática foi instalada pelo 4º ancestral, Doshin, no templo de Shohozan. O trabalho manual de manutenção do centro tornou-se parte da vida monástica como treinamento espiritual ligado às necessidades da vida diária.

Converse com os monges para datas e informações sobre como ajudar no Samu.

 
Vida diária

 

O treinamento do Zen e as atividades da vida cotidiana devem estar interligadas formando uma única prática. Desse modo poderão tornar-se um desafio capaz de introduzir a mente Zen na vida diária. Com as experiências vividas no dia-dia retornamos ao zazen, e o atrito gerado por este processo – integração vida cotidiana e zazen, movimento e pausa – podem fornecer a energia que cria mudanças por meio das quais podemos crescer.

A prática na vida diária é a mesma da almofada de zazen: examinar os pensamentos cotidianos de ganância, raiva e ignorância e retornar para a mente pura original. Não existe separação entre a prática e a iluminação, ou entre o zazen e a vida cotidiana.

 

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