O Zen Budismo

O Samadhi do Espelho Precioso
  • Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

   SAMADHI DO ESPELHO PRECIOSO
                        Hokyozanmai

                                   (Dias Pares)

      MOKUGYOU NÃO TOCA!

  O Darma do assim como é,
Budas Ancestrais cuidadosamente transmitem.  
Agora você o encontrou  
Preserve-o bem.
Uma bandeja de prata acumula branca neve.
Na luz do luar a nívea garça desaparece.
Parecem-se, mas não são iguais.
Juntando-as, sabemos que são.
    
A mente não se expressa em palavras
Mas elas encorajam àquele que procura.  
Se excitado, você entra em uma armadilha.
Se se opuser, espere pela queda.
    
Afastar-se ou tocar:  
Ambos errados.
É como fogo maciço.
Se o retratar com palavras elegantes,  
O estará maculando.
    
No meio da noite, a correta luz.
No céu do amanhecer não aparece.
É a regra geral.
Usando-a, remove-se todo o sofrimento.
 
Mesmo sendo do mundo dos fenômenos
Esta narrativa não o é.
Mesmo sem ser da intenção
Este não palavras, não o é.
 
É como olhar no espelho precioso  
Onde forma e reflexo se encontram.
Você não é ele,  
Mas ele é tudo de você.
    
É como um bebê no mundo  
Pleno de seus cinco sentidos.
Sem ir nem vir.
Sem se levantar e sem parar.
         
Gugu! Dadá!
Uma fala sem fala!
E nada compreendemos.
Sua fala ainda não é correta.
 
Como as linhas do hexagrama:
Relativo e absoluto se integram,
Sobrepostas tornam-se três.
A completa transformação as faz cinco.
Como o paladar da erva chissô,
Como as faces do diamante.

Dentro do absoluto  
Todos os relativos se integram.
Perguntas e respostas  
Caminham juntas.

Comunicar com a essência  
É comunicar com o caminhar.
Inclui integração  
E inclui o Caminho.
Em comunhão auspiciosa!
Não destrua isto!
 
A maravilhosa verdade do céu
Está além da questão de delusão ou Iluminação.  
Quando causa e efeito chegam a termo,  
Sua luz brilha naturalmente.
 
Nas coisas pequenas, ela é a menor de todas.
Nas coisas grandes, ela é ilimitada.  
Basta um finíssimo fio de seda de diferença
Para que a harmonia se quebre.
 
Agora a escola em súbita e em gradual se biparte.
Estabelece bases seguindo estas regras.  
Mas a prática diligente penetra o ensinamento  
E a verdade continua a fluir incessantemente.

Por fora, tranquilos; por dentro, agitados.
Como um cavalo no cabresto ou rato acuado.
Os antigos sábios se apiedaram,   
Oferecendo o Darma que leva à outra margem.
Seguindo pontos de vista errados,  
Ao preto chamam de branco.  
Exaurindo os falsos pensamentos,
A mente aberta aceita a si mesma.
 
Se desejar caminhar nas pegadas dos antigos,  
Rogo que observe os exemplos  de antanho.
Aproxime-se para realizar o Caminho de Buda.
 
Como por dez kalpas,  
Observando uma árvore,  
Como um tigre ferido  
Ou como um cavalo manco.
 
Porque existem coisas inferiores,
Existem  tesouros raros em pedestais,
Porque há coisas maravilhosas e estranhas,
Há gatos selvagens e vacas brancas.

O mestre arqueiro  
Com o poder de sua técnica,
Pode atingir  
Um alvo a uma centena de passos.
 

Mas quando duas flexas se encontram em pleno ar  
Ponta com ponta,  
Será somente a técnica  
A responsável?

Ao mesmo tempo, o boneco de madeira canta,
A mulher de pedra se levanta e dança.
Apenas a mente comum  
Admite este pensamento?

O servo atende ao seu senhor,  
A criança obedece ao pai.  
Se não houver obediência,  
Não haverá respeito filial.
Se não houver serviço,  
Não haverá atendimento.
 
Em segredo e misteriosamente,  
Agindo como um tolo,  
Atuando como um bobo,
Apenas o capaz de herdá-lo,
É chamado de mestre entre os mestres.